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Saúde e bem-estar01 de setembro de 2025

Bruxismo, Dor e Névoa Mental: um ciclo vicioso que precisa ser quebrado

O bruxismo sempre foi visto como um simples ranger ou apertar de dentes, geralmente relacionado ao estresse ou a distúrbios do sono. Mas a ciência moderna mostra que ele é muito mais complexo. Na verdade, representa um distúrbio multifatorial que pode gerar dor persistente, afetar a clareza mental e até prejudicar a memória.

Durante o apertamento, o nervo trigêmeo — que controla a mastigação e está diretamente ligado ao tronco encefálico — sofre uma hiperestimulação. Essa sobrecarga mantém o sistema nervoso em alerta constante, repercutindo sobre o nervo vago e desorganizando todo o eixo cérebro-coração-intestino.

O resultado é um organismo em desequilíbrio, no qual a dor surge como consequência: dores de cabeça, tensão na face, dor no pescoço, irradiação para os braços e fadiga muscular.

Mas a dor não vem sozinha. O excesso de estímulos desencadeia uma neuroinflamação silenciosa, que atinge áreas fundamentais para memória e concentração, como o hipocampo. Assim surgem a chamada névoa mental, esquecimentos frequentes, lentidão cognitiva e dificuldade de foco.

Outro ponto crítico é o impacto sobre o sono. O bruxismo prejudica o sono profundo, etapa indispensável para que o corpo e o cérebro passem pelo reset físico e mental diário. Sem ele, não ocorre nem a faxina glinfática cerebral nem a restauração do corpo. Resultado: fadiga persistente, dor constante (especialmente pela manhã) e perda de desempenho mental.

Esse ciclo vicioso — dor, bruxismo e névoa mental — precisa ser interrompido. E não basta pensar apenas em “plaquinhas” como tratamento. O bruxismo é multifatorial e exige uma abordagem interdisciplinar, que pode incluir:

• Osteopatia ou fisioterapia bucomaxilofacial, para restaurar o equilíbrio muscular, articular e neurológico;

• Odontologia especializada, para ajustar a mordida e proteger dentes e articulações;

• Terapia ou psicologia, quando ansiedade e estresse são fatores desencadeadores;

• Neurologia, em casos mais complexos, para investigar padrões neurofuncionais ou comorbidades associadas.

Mais do que proteger dentes, o tratamento do bruxismo significa devolver qualidade de vida, clareza mental e liberdade para viver sem dor.

Referências:

• Fulek, R. et al. Systematic Review on the Link between Sleep Bruxism and Systemic Chronic Inflammation. Brain Sciences, 2023.

• Uchima Koecklin, S. et al. The neural substrates of bruxism: current knowledge and clinical implications. Frontiers in Neurology, 2024.

Foto de Dra. Ana Gil

Escrito por

Dra. Ana Gil

Fisioterapeuta e osteopata · Diretora do Espaço Ana Gil

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