(21) 2439-8600

Seg. a Sex. · 8h às 20h

Logo Espaço Ana Gil
Blog

Fisioterapia10 de dezembro de 2025

O Corpo Fala, mas Também Escuta: Como Emoções e Crenças Influenciam a Dor

Falamos com frequência sobre a importância de “ouvir o corpo”. Porém, pouco se discute que o corpo também escuta. Ele capta não apenas sinais físicos, mas também estímulos emocionais, estados mentais e até as narrativas que repetimos diariamente.

O corpo escuta as pressas.

Escuta os silêncios que viram tensão.

Escuta as pausas que não damos.

Escuta as emoções que tentamos esconder.

E escuta, sobretudo, aquilo que declaramos — inclusive nos dias difíceis.

Durante a primeira consulta de uma paciente, após diversas tentativas frustradas de tratamento em outros lugares, ela desabafou:

“Dra., eu tô exausta. Nada parece funcionar pra mim. Acho que vou desistir e viver com a dor.”

Esse tipo de relato, comum na prática clínica, revela algo que aprendi ao longo de 23 anos de experiência: o corpo fala, mas também escuta.

Quando vivemos estados de pessimismo, ansiedade, desesperança…

Quando repetimos frases de derrota…

Quando acreditamos profundamente que “nada funciona”…

o corpo responde. Ele acompanha a narrativa. Aumenta tensão, amplifica o alerta, torna-se mais sensível ao estímulo doloroso.

Essa relação não é metafórica. Há um conjunto crescente de pesquisas mostrando que fatores emocionais, crenças e atitudes influenciam diretamente a percepção da dor e a forma como o sistema nervoso processa estímulos. Estudos recentes reforçam que o estado emocional pode modular a sensibilidade dolorosa, potencializar quadros crônicos e impactar a resposta ao tratamento (Liu et al., Journal of Pain Research, 2022; Borsook et al., Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2022).

Não se trata de “culpa” ou falta de esforço. O corpo não decide “não melhorar”.

Ele simplesmente responde ao ambiente interno — aquilo que pensamos, sentimos e repetimos para nós mesmos todos os dias.

Por isso, tratar dor vai muito além de técnicas, exercícios e protocolos fisiológicos. É também sobre o diálogo interno que a pessoa alimenta. Sobre esperança, percepção, comportamento e o entendimento de que o corpo acompanha não só movimentos, mas significados.

Cuidar da dor é, também, aprender a falar com o próprio corpo da mesma forma que esperamos que ele responda: com clareza, respeito, paciência e confiança no processo.

O corpo escuta o tempo todo.

A pergunta que fica é: o que você tem dito para o seu?

Foto de Dra. Ana Gil

Escrito por

Dra. Ana Gil

Fisioterapeuta e osteopata · Diretora do Espaço Ana Gil

Vamos começar?

Sua vida sem dor começa com uma conversa

Dê o primeiro passo hoje: agende sua avaliação e descubra a causa da sua dor.

Agende sua avaliação